galpaoorigens

 

“O Galpão nasceu em 1982, ano em que estávamos sob jugo do governo do general Figueiredo. (…)

O momento era propício para que o descontentamento se extravasasse.

É nessa conjuntura, que nasce o Galpão e uma série de outros grupos pelo Brasil. O traço comum desses grupos é que eram coletivos que, buscando construir uma narrativa ficcional que seria fruto de sua experiência enquanto coletivo de atores, não aceita mais ficar em silêncio e ficar sob o jugo da censura e da falta de liberdade, decretada pelos militares (…). Projetos que se propõem a ser de médio e longo prazo, rompendo com a limitação de planejar-se apenas para o próximo espetáculo.

Era preciso reconquistar a capacidade de ser agente de uma narrativa própria, uma história que representasse a nós mesmos, nosso tempo e nossa sociedade. Coisa que, aliás, o teatro sabia fazer muito bem até o final da década de sessenta, quando foi violentamente perseguido pela ditadura, exatamente por ser a vanguarda do movimento artístico político e social. A resistência vai ser a marca do DNA de muitos dos grupos que nascem nesse período.

No caso dos primórdios do Galpão, a resistência se dá com o teatro popular e de rua que, rompendo com a imobilidade e o silêncio, vai para as praças, juntando quinhentos, mil espectadores em volta de uma roda e associando-se a sindicatos e associações de bairro e profissionais. A sociedade começa a se movimentar em torno da democracia em manifestações que dariam origem à luta pela anistia, o retorno dos exilados políticos, as eleições amplas e gerais e a Constituinte. A água parada e represada, que gerava o mau cheiro de construções faraônicas, começava a circular e a ameaçar o status quo.” – Eduardo Moreira

Veja o texto na íntegra em História, ancestralidade e teatro

Advertisements